20/08/19 às 17h55 - Atualizado em 26/08/19 às 14h21

HISTÓRICO

Como enfrentar os problemas de corrupção e serviços públicos de baixa qualidade em um país onde as instituições de controle não conseguem garantir resultados que satisfaçam as demandas da sociedade? A Controladoria Geral do Distrito Federal, CGDF, se fez essa pergunta e concluiu que para um mudança efetiva do quadro observado é necessária a participação de um ator fundamental, o cidadão.

 

Para o cidadão participar é fundamental que compreenda o “como” e “ o que” fazer. Investir em formação cidadã passou a ser uma missão da CGDF. Fazer com que cada um compreenda que não basta reclamar, que é preciso qualificar as manifestações que faz (ir além das reclamações) e, além disso, que deve se comprometer com a transformação desejada é a melhor maneira de mudar a realidade. Não há problema que resista a esse tipo de gente que faz acontecer.

 

Para começar, a CGDF escolheu o público alvo, estudantes das escolas públicas, e lançou o projeto Controladoria na Escola. Um projeto que despertou nos estudantes, nos seus pais e nos professores a consciência de que eles podem ser protagonistas na construção da escola que desejam ter, e lançou a semente para que cada um viva sua cidadania de maneira ativa em todos os contextos sociais, que é a maneira de transformar toda a sociedade, fazendo do espaço/serviço público um espaço/serviço de todos.

 

O projeto Controladoria na Escola começa em 2016, em 10 escolas públicas de ensino fundamental e médio do DF. As ações propostas, desde o início, buscavam provocar nos estudantes a reflexão e a ação. A principal delas era a auditoria cívica na escola, na qual os estudantes, a partir de uma metodologia proposta, observaram e registraram a situação da escola. Com os registros na mão foi redigido um relatório que apontava os problemas encontrados e os principais desafios. A reflexão que seguiu foi como a escola poderia enfrentar os problemas identificados. Com essa experiência os alunos agiram de forma coletiva e perceberam que podem ser protagonistas de transformações e aperfeiçoamentos na execução das Políticas Públicas, ampliaram seu olhar para além das reclamações usuais. As escolas sentiram as mudanças que a presença de estudantes que assumem responsabilidades e não ficam só
esperando faz.

 

O projeto de 2016 foi realizado em 5 etapas:

1. Apresentação da Peça de Teatro o Auto da Barca da Cidadania;
2. Capacitação e Auditoria Cívica na Escola;
3. Apresentação do relatório parcial e priorização de propostas pelos alunos;
4. Entrega do Relatório Final às autoridades;
5. Retorno para verificar os resultados alcançados

No projeto piloto, 1.322 alunos assistiram a peça de teatro, em torno de 200 se envolveram mais diretamente nas demais etapas. Os relatórios finais das auditorias cívicas foram entregues ao Secretário de Educação, ao Controlador-Geral do DF, à Primeira-Dama e ao Governador Rodrigo Rollemberg.

 

2016

 

Após o êxito alcançado pelo projeto piloto no ano de 2016, a Controladoria-Geral lançou um desafio para a coordenação do projeto: alcançar no ano de 2017 cem escolas públicas do DF. O desafio foi aceito e 104 escolas se inscreveram. O público escolhido foi o mesmo do de 2016, alunos de 8° e 9° ano do ensino fundamental e os dos 3 anos do ensino médio. No projeto participaram de todas as atividades cerca de 4.000 estudantes e 280 professores orientadores e trouxe resultados animadores

 

Gamificação

 

Para estimular a participação da escola, em 2017 a CGDF lançou o “I Prêmio Escola de Atitude”, proposto sob as premissas da gamificação. As escolas foram convidadas a participar. Aquelas que se inscreveram tinham várias atividades a executar, para cada uma recebia pontos. Seguindo a ideia de uma grande gincana as escolas estavam competindo entre si. No fim, as escolas com as 10 maiores pontuações receberam prêmios em dinheiro e seus professores (que participaram do projeto) bolsas de pós graduação/mestrado.

 

Auditoria Cívica

 

A auditoria cívica foi a primeira atividade realizada pelos alunos. Para viabilizar a atividade com a ampliação da escala, foi adotado o aplicativo “Monitorando a Cidade”, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts – MIT.

 

2017

 

O aplicativo foi instalado nos smartphones e serviu como instrumento de registro das observações feitas pelos alunos sobre a realidade do ambiente escolar. Todos os registros geraram uma base de dados na CGDF, que, depois de analisá-los, gerou um relatório que foi entregue para cada escola com seus dados. Esses relatórios foram apresentados para a comunidade escolar e seus pontos discutidos. O exercício que se seguiu foi o de identificar as causas dos problemas encontrados e buscar soluções. Esse exercício por si só gerou o início de transformações nos comportamentos dos estudantes. Uma das orientações dadas era a de que todos deveriam fazer parte das soluções propostas, o grupo deveria enfrentar por eles mesmos os problemas. O resultado desse processo foi o de despertar em todos a consciência de que o espaço da escola é deles, criou um senso de pertencimento, e isso faz toda a diferença.

 

A etapa seguinte foi o Teatro, uma experiência cultural para os estudantes. A apresentação peça “O auto da barca da cidadania” aconteceu no Centro de Convenções Ulysses no dia 31 de outubro de 2017. A peça foi a mesma de 2016, com poucas adaptações. No espetáculo, foram apresentados, os conceitos de voluntariado, cidadania, educação fiscal, combate a corrupção, entre outros.

 

Assistiram a peça cerca de 4.000 alunos, de 98 escolas.

A trupe também apresentou a peça nas duas Unidades de Internação do Sistema Socioeducativo do DF que participaram do projeto. Foi uma experiência marcante para todos.
Para ver um pouco mais como foi acesse o link:
https://goo.gl/S1rs49

 

TEATRO

 

O objetivo da Tarefa Especial é inserir um tema para a pauta de discussão dentro das escolas, as ações que a tarefa pede devem ser executadas pelos alunos. Em 2017 foi lançada uma só e o tema escolhido foi a Lei de Acesso à Informação – LAI. A tarefa consistia na criação de um vídeo de no máximo 3 minutos que abordasse o tema. Foram avaliados conteúdo e criatividade. As produções mostraram que o objetivo foi alcançado. Estão disponíveis para acesso do público no Youtube,

Canal da Transparência do GDF.
Canal da Transparência do GDF – https://goo.gl/yHi4dN
Lei de Acesso à Informação – https://goo.gl/qaS8Ap

 

TAREFA ESPECIAL

 

Inspirada nos resultados alcançados em 2016, a coordenação do Projeto propôs o Desafio. Essa atividade tinha por objetivo fazer a escola escolher alguma situação revelada na auditoria cívica que requeresse uma ação mais organizada. Escolhido o problema a ser enfrentado, a escola apresentou seu planejamento e estratégia e começou a trabalhar. Baixo custo e alto impacto era o que se desejava para essa ação. O envolvimento dos estudantes e professores nessa atividade reforçou o espírito comunitário / cívico e mostrou a todos que quando um grupo decide enfrentar um problema de maneira organizada, a solução fica mais próxima. Com essa experiência foi reforçada a importância da participação social, do voluntariado, do controle social, do trabalho em equipe, e da construção de valores contrários à corrupção.
É isso que faz uma escola ser melhor, que transforma a realidade.

 

DESAFIO

 

Foram muitas as iniciativas que impressionaram. A escola que ficou em primeiro lugar desenvolveu uma estratégia para conscientizar os alunos sobre a importância da integridade, de enxergar o espaço da escola como de todos e de cada um (gerando comprometimento com sua conservação e melhoria).

Também criou um aplicativo de celular, que chamaram de MME – Monitorando Minha Escola, que começou a ser utilizado como instrumento de incentivo ao bom comportamento e participação no ambiente escolar. Na maioria das escolas fizeram mutirões envolvendo professores, alunos, pais e outros voluntários para fazer limpeza, pinturas, reformas nos banheiros, bibliotecas e salas de informáticas.

O Gran Finale do Projeto em 2017 foi o evento de premiação que aconteceu dia 08 de dezembro, véspera do Dia Internacional de Combate à Corrupção, no Museu da República, com a presença de mais de 700 pessoas. Com a emoção a flor da pele, todos aguardavam pela divulgação de quais seriam as escolas vencedoras. Foram premiadas as 10 primeiras colocadas. A campeã recebeu R$ 50 mil depositados na conta da Caixa Escolar para ser investido em melhorias nas escolas. Os professores orientadores do projeto de cada uma das 10 escolas ganharam bolsas de especialização ou pós-graduação.

 

PREMIAÇÃO

 

As Escolas vencedoras do 1º Prêmio Escola de Atitude foram:
1º – Centro Educacional 14 de Ceilândia
2º – Centro Educacional 310 de Santa Maria
3º – Centro de Ensino Fundamental 3 de Planaltina
4º – Centro Educacional Gesner Teixeira (Gama)
5º – Centro de Ensino Fundamental Pipiripau (Planaltina)
6º – Centro de Ensino Fundamental Miguel Arcanjo (São Sebastião)
7º – Centro Educacional São Bartolomeu (São Sebastião)
8º – Centro Educacional Taquara
9º – Centro Educacional 4 de Taguatinga
10º – Centro de Ensino Fundamental do Bosque (São Sebastião)

DE OLHO NA EDUCAÇÃO

CGDF